As tentações do poder e a tragédia

Anselmo Borges
Anselmo Borges

«Perante os horrores que estamos a viver, escrever o quê? O meu desejo era tão-só pôr como título: Ucrânia: o horror»

«Mas estamos na Quaresma e, no Domingo passado, o Evangelho narrava as três tentações de Jesus. Jesus não cedeu. Mas, quando se cede, julgando ser Deus, então é o que se sabe, ao percorrer a História: horrores, tragédias sem fim, a brutalidade pura…»

«Nunca a Europa esteve tão unida como nesta condenação. Putin sentir-se-á isolado como nunca, já com um lugar na história dos tiranos, e a solidariedade com os ucranianos é gigantesca e cordial»

«Nesta solidariedade e procura da paz mediante negociações diplomáticas, o Papa Francisco tem sido incansável: ‘A Santa Sé está disposta a tudo, a pôr-se a caminho pela paz'»

«O grande objectivo de Francisco é poder entrar em contacto, pelo menos telefónico, com Vladimir Putin. Para isso, precisaria da mediação do Patriarca ortodoxo de Moscovo, Kirill, que, desgraçadamente, se tem colocado ao lado de Putin»

Por Anselmo Borges

Perante os horrores que estamos a viver, escrever o quê? O meu desejo era tão-só pôr como título: Ucrânia: o horror. Depois, pedir para colocarem na página em branco a imagem de uma cruz e, no fundo à direita, duas palavras: Lágrimas e solidariedade. E era tudo.

Mas estamos na Quaresma e, no Domingo passado, o Evangelho narrava as três tentações de Jesus, tentações que, lá no fundo, não são senão uma só: a tentação do poder total enquanto domínio: o poder económico — o diabo disse a Jesus: “diz ntacionesa estas pedras que se transformem em pão” —, o poder religioso — levou-o ao pináculo do Templo e disse-lhe: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, os anjos levar-te-ão nas suas mãos” —, o poder total — “o diabo mostrou-lhe todos os reinos do universo: Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória; se te prostrares diante de mim, tudo será teu.”

Jesus não cedeu. Mas, quando se cede, caindo na tentação do domínio total, da omnipotência, julgando ser Deus, então é o que se sabe, ao percorrer a História: horrores, tragédias sem fim, a brutalidade pura, reinos destruídos, impérios que se desmoronam, ódio, sofrimento e dor sem nome e sem fim… Lembrando apenas o século XX na Europa: várias guerras, com duas mundiais, custaram quantos mortos?

E agora, quando pensávamos ter encontrado a paz, eis que, num desígnio imperial, Vladimir Putin, ignorando o Direito Internacional, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, invade um país independente e soberano, a Ucrânia. E aí está outra vez a guerra, e as atrocidades sucedem-se, bombardeamentos indiscriminados, milhões de deslocados, feridos, mortos, edifícios arrasados, idosos, mulheres, crianças a fugir desesperados à morte, num calvário arrepiante, pungente. O intolerável que, no limite da loucura de uma guerra nuclear, poderia arrastar para o auto-aniquilamento da Humanidade…

Mesmo se a União Europeia e a NATO não souberam gerir da melhor maneira o pós-queda do Muro de Berlim e o desmembramento da URSS — não se deverá esquecer a ideia de De Gaulle sobre uma Europa “do Atlântico aos Urais” nem o discurso do Papa João Paulo II sobre o Ocidente e o Oriente como “os dois pulmões” da Igreja e da Europa —, isso não justifica de modo nenhum a invasão. Aliás, felizmente, como que anunciando o despertar para uma nova Europa, nunca a Europa esteve tão unida como nesta condenação e, também na Assembleia geral da ONU, 141 Estados votaram a favor da resolução condenando a invasão; apenas 5 votaram contra. Putin sentir-se-á isolado como nunca, já com um lugar na história dos tiranos, e a solidariedade com os ucranianos é gigantesca e cordial.

Nesta solidariedade e procura da paz mediante negociações diplomáticas, o Papa Francisco tem sido incansável. Logo nos primeiros dias da guerra, encontrou-se com o embaixador russo no Vaticano, telefonou ao embaixador da Ucrânia, manifestando a sua “profunda dor” pela invasão, e falou com o presidente ucraniano Zelensky.

Entretanto, enviou à Ucrânia dois cardeais: Krajewski, o esmoleiro, e Czerny, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, como mensageiros da paz. No Domingo passado, foi claro: “Na Ucrânia, correm rios de sangue e de lágrimas. Não se trata de uma operação militar, mas de guerra, que semeia morte, destruição e miséria.” Lembrando as tentações, sublinhou que elas são “uma proposta sedutora mas que conduz à escravidão do coração: cegam-nos com a ânsia do ter, reduzem tudo à posse de coisas, de poder e de fama. Jesus, porém, opõe-se vitoriosamente à atracção do mal. Como? Respondendo às tentações com a Palavra de Deus, que diz que a verdadeira felicidade e a liberdade não estão no ter, mas na partilha, não no aproveitamento dos outros, mas no amor, não na obsessão pelo poder, mas na alegria do serviço.” E, mais uma vez, declarou: “A Santa Sé está disposta a tudo, a pôr-se a caminho pela paz.”

Numa conversa telefónica entre o Secretário de Estado do Vaticano e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, o cardeal Parolin repetiu a Lavrov o apelo de Francisco e a disposição da Santa Sé para todo o tipo de mediação considerado útil para fomentar a paz: “Os combates têm de cessar, impõe-se abrir corredores humanitários, negociar.”

Papa Francisco
Papa Francisco

O grande objectivo de Francisco é poder entrar em contacto, pelo menos telefónico, com Vladimir Putin. Para isso, precisaria da mediação do Patriarca ortodoxo de Moscovo, Kirill, que, desgraçadamente, se tem colocado ao lado de Putin.

Termino com parte da letra de uma canção, enviada por um amigo, intitulada: “Senhor Putin”.

“Sr. Putin, permita que lhe pergunte: afinal, quem é? Nasceu de pai e mãe? Tem coração que bate? Pensa? Sente? Já alguma vez sofreu? Já chorou? Como é possível sob o seu comando tanta gente perder a vida, perder a paz, ter de abandonar as suas casas, fugir das armas e tanques de guerra, tudo sob o seu comando? Como pode ver crianças a sofrer, a chorar assustadas, crianças mortas? Crianças a nascer em bunkers, mulheres a ver os seus maridos e filhos a morrer? Quem é afinal, Sr. Putin? Pense… Alguém lá acima, mas muito acima…, Esse, sim, a quem todo o poder pertence, Ele fará justiça e o Sr. Putin irá então encontrar-se consigo mesmo, dando conta da sua pequenez, ignorância, insignificância, frieza, crueldade e materialismo. A vida aqui tem um tempo limitado. Abra os olhos. Pare, Sr. Putin, pois esta guerra não é dos russos, é do Sr. Putin. Deus, sim, Ele é o Senhor de tudo.”

La Buena Nueva del Dgo Cuarsma-1º-C

Vencer las tentaciones

«No solo de pan vive el hombre»

Lucas 4, 1-13

En aquel tiempo, Jesús, lleno del Espíritu Santo, volvió del Jordán y, durante cuarenta días, el Espíritu lo fue llevando por el desierto, mientras era tentado por el diablo.

Todo aquel tiempo estuvo sin comer, y al final sintió hambre.

Entonces el diablo le dijo: «Si eres Hijo de Dios, dile a esta piedra que se convierta en pan.» Jesús le contestó: «Está escrito: «No sólo de pan vive el hombre»».

Después, llevándole a lo alto, el diablo le mostró en un instante todos los reinos del mundo y le dijo: «Te daré el poder y la gloria de todo eso, porque a mí me lo han dado, y yo lo doy a quien quiero. Si tú te arrodillas delante de mí, todo será tuyo.»

Jesús le contestó: «Está escrito: «Al Señor, tu Dios, adorarás y a él sólo darás culto»». Entonces lo llevó a Jerusalén y lo puso en el alero del templo y le dijo: «Si eres Hijo de Dios, tírate de aquí abajo, porque está escrito: «Encargará a los ángeles que cuiden de ti», y también: «Te sostendrán en sus manos, para que tu pie no tropiece con las piedras»».

Jesús le contestó: «Está mandado: «No tentarás al Señor, tu Dios»».

Completadas las tentaciones, el demonio se marchó hasta otra ocasión.

Comentario al Evangelio

CONVERTIR TODO EN PAN

Written by José Antonio Pagola

Es nuestra gran tentación. Reducir todo el horizonte de nuestra vida a la mera satisfacción de nuestros deseos: empeñarnos en convertirlo todo en pan con que alimentar nuestras apetencias.

Nuestra mayor satisfacción, y a veces casi la única, es digerir y consumir productos, artículos, objetos, espectáculos, libros, televisión. Hasta el amor ha quedado convertido con frecuencia en mera satisfacción sexual.

Corremos la tentación de buscar el placer más allá de los límites de la necesidad, incluso en detrimento de la vida y la convivencia. Terminamos luchando por satisfacer nuestros deseos, aun a costa de los demás, provocando la competitividad y la guerra entre nosotros.

Nos engañamos si pensamos que es ese el camino de la liberación y de la vida. Al contrario, ¿no hemos experimentado nunca que la búsqueda exacerbada de placer lleva al aburrimiento, el hastío y el vaciamiento de la vida? ¿No estamos viendo que una sociedad que cultiva el consumo y la satisfacción no hace sino generar insolidaridad, irresponsabilidad y violencia?

Esta civilización, que nos ha «educado» para la búsqueda del placer fuera de toda razón y medida, está necesitando un cambio de dirección que nos pueda infundir nuevo aliento de vida.

Hemos de volver al desierto. Aprender de Jesús, que se negó a hacer prodigios por pura utilidad, capricho o placer. Escuchar la verdad que se encierra en sus inolvidables palabras: «No solo de pan vive el hombre, sino de toda Palabra que sale de la boca de Dios».

¿No necesitamos liberarnos de nuestra avidez, egoísmo y superficialidad, para despertar en nosotros el amor y la generosidad? ¿No necesitamos escuchar a Dios, que nos invita a gozar creando solidaridad, amistad y fraternidad?

Las tentaciones

Las tentaciones de Jesús y de la Iglesia según Benedicto XVI

Como he dicho en la postal anterior (2.3.22), la Iglesia  recuerda y actualiza este Domingo 6.3.22 las “tentaciones” de Jesús, recogidas por Mt 4 y Lc 4. Benedicto XVI ha pensado reiteradamente en ellas, como teólogo, Presidente de la Congregación para la Doctrina de la fe y Papa.

Retoma para ello motivos de la historia de la humanidad y de la Iglesia, con matices tomados de Dostoievski, en un momento crucial de su vida, entre su rechazo de “zarismo” y su pre-visión de un totalitarismo inhumano, representado por el Gran Inquisidor social de la nueva historia.

Benedicto XV ha situado el tema en el contexto de su “dramática” vida, entre el terror nazi y un tipo de “nuevo” terror que él ha vinculado al “marxismo real” y a un tipo de nuevo inhumanismo ateo. Su visión aparece en varios libros, en muchos discursos papales recogidos en Vatican-va y sobre todo en su primer tomo de Jesús de Nazaret. Sobre la visión de Dostoievski he tratado en mi Historia de Jesús

Por| X. Pikaza Ibarrondo

1ª TENTACIÓN: CONVIERTE ESTAS PIEDRAS EN PAN (MARXISMO)

Tema:«La prueba de la existencia de Dios que el tentador propone en la primera tentación consiste en convertir las piedras del desierto en pan. En principio se trata del hambre de Jesús mismo; así lo ve Lucas: «Dile a esta piedra que se convierta en pan» (Lc 4, 3). Pero Mateo interpreta la tentación de un modo más amplio, tal como se le presentó ya en la vida terrena de Jesús y, después, se le proponía y propone constantemente a lo largo de toda la historia. ¿Qué es más trágico, qué se opone más a la fe en un Dios bueno y a la fe en un redentor de los hombres que el hambre de la humanidad? El primer criterio para identificar al redentor ante el mundo y por el mundo, ¿no debe ser que le dé pan y acabe con el hambre de todos? Cuando el pueblo de Israel vagaba por el desierto, Dios lo alimentó con el pan del cielo, el maná. Se creía poder reconocer en eso una imagen del tiempo mesiánico: ¿no debería y debe el salvador del mundo demostrar su identidad dando de comer a todos? ¿No es el problema de la alimentación del mundo y, más general, los problemas sociales, el primero y más auténtico criterio con el cual debe confrontarse la redención? ¿Puede llamarse redentor alguien que no responde a este criterio? “ (Benedicto XVI, Jesús de Nazaret I, 55).

Respuesta falsa. Marxismo.«El marxismo ha hecho precisamente de este ideal —muy comprensiblemente— el centro de su promesa de salvación: habría hecho que toda hambre fuera saciada y que «el desierto se convirtiera en pan». «Si eres Hijo de Dios…»: ¡qué desafío! ¿No se deberá decir lo mismo a la Iglesia? Si quieres ser la Iglesia de Dios, preocúpate ante todo del pan para el mundo, lo demás viene después» (Ibid. 56).

Más allá del pan (y del marxismo). Benedicto XVI cita unas palabras del teólogo Alfred Delp, ejecutado por los nazis: «El pan es importante, la libertad es más importante, pero lo más importante de todo es la fidelidad constante y la adoración jamás traicionada». «Cuando a Dios se le da una importancia secundaria, que se puede dejar de lado temporal o permanentemente en nombre de asuntos más importantes, entonces fracasan precisamente estas cosas presuntamente más importantes. No sólo lo demuestra el fracaso de la experiencia marxista» (Ibid 57‒58). 

Ciertamente, la respuesta de Benedicto XVI es honda y certera, en la línea de la aplicación histórica del tema de las tentaciones de Jesús. Haremos bien en recordarla, interpretarla y aplicarla. Pero no es la única. Algunas cosas han cambiado además desde los tiempos de su juventud, tras el nazismo, cuando el marxismo germano-soviético aparecía como amenaza central con la libertad y la pas de millones y millones de personas. 

2ª TENTACIÓN: ÉCHATE DEL TEMPLO (FALSA IDEOLOGÍA Y TEOLOGÍA)

            Benedicto XVI sabía mucho del tema, no sólo cómo teólogo  significativo, sino como Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la fe y después como Papa. El diablo de las tentaciones de Jesús aparece ante todo como “teólogo”, es decir, como intérprete de la Biblia y como ideólogo. Es normal que XVI haya identificado a este Segundo Diablo (Diablo de la 2ª tentación) con un tipo de teólogos (escrituristas) que manipulan la Palabra de Dios y esclavizan a los fieles. El diablo “escriturista” (teólogo). Para fundar su interpretación, Benedicto XVI apela (quizá de un modo algo sesgado) a un pensador ruso llamado V. Soloviev (en la línea de Dostoievski): 

 «Vladimir Soloviev toma este motivo en su Breve relato del Anticristo: el Anticristo recibe el doctorado honoris causa en teología por la Universidad de Tubinga; es un gran experto en la Biblia. Soloviev expresa drásticamente con este relato su escepticismo frente a un cierto tipo de erudición exegética de su época. No se trata de un “no” a la interpretación científica de la Biblia como tal, sino de una advertencia sumamente útil y necesaria ante sus posibles extravíos. La interpretación de la Biblia puede convertirse, de hecho, en un instrumento del Anticristo. No lo dice solamente Soloviev, es lo que afirma implícitamente el relato mismo de la tentación. A partir de resultados aparentes de la exégesis científica se han escrito los peores y más destructivos libros de la figura de Jesús, que desmantelan la fe.

Hoy en día se somete la Biblia a la norma de la denominada visión moderna del mundo, cuyo dogma fundamental es que Dios no puede actuar en la historia y, que, por tanto, todo lo que hace referencia a Dios debe estar circunscrito al ámbito de lo subjetivo. Entonces la Biblia ya no habla de Dios, del Dios vivo, sino que hablamos sólo nosotros mismos y decidimos lo que Dios puede hacer y lo que nosotros queremos o debemos hacer. Y el Anticristo nos dice entonces, con gran erudición, que una exégesis que lee la Biblia en la perspectiva de la fe en el Dios vivo y, al hacerlo, le escucha, es fundamentalismo; sólo su exégesis,  la exégesis considerada auténticamente científica, en la que Dios mismo no dice nada ni tiene nada que decir, está a la altura de los tiempos.

El debate teológico entre Jesús y el diablo es una disputa válida en todos los tiempos y versa sobre la correcta interpretación bíblica, cuya cuestión hermenéutica fundamental es la pregunta por la imagen de Dios. El debate acerca de la interpretación es, al fin y al cabo, un debate  sobre quién es Dios. Esta discusión sobre la imagen de Dios en que consiste  la disputa sobre la interpretación correcta de la Escritura se decide de un modo concreto en la imagen de Cristo: Él, que se ha quedado sin poder mundano, ¿es realmente el Hijo del Dios vivo?

Así, el interrogante sobre la estructura del curioso diálogo escriturístico entre Cristo y el tentador lleva directamente al centro de la cuestión del contenido. ¿De qué se trata?  Se ha relacionado esta tentación con la máxima del panem et circenses: después del pan hay que ofrecer algo sensacional. Dado que, evidentemente, al hombre no le basta la mera satisfacción del hambre corporal, quien no quiere dejar entrar a Dios en el mundo y en los hombres tiene que ofrecer el placer de emociones excitantes cuya intensidad suplante y acalle la conmoción religiosa. Pero no se habla de esto en este pasaje, puesto que, al parecer, en la tentación no se presupone la existencia de espectadores» (Benedicto XVI, Jesús de Nazaret I, 60-61).

Una condena quizá menos matizada Las palabras anteriores constituyen el alegato más fuerte de Benedicto XVI en contra los malos escrituristas (=exegetas, teólogos) que serían el Segundo Diablo (la segunda tentación) a la que alude el relato de Jesús. Esos “malos” teólogos con su interpretación torcida de la Biblia, aparecen de algún modo como agentes satánicos, una gran tentación para los fieles. Da la impresión de que Benedicto XVI echa la culpa de parte de la crisis de la Iglesia actual) a los malos teólogos (que serían como una especie de encarnación del Diablo). 

Ciertamente, Jesús no se sometió a ellos, sino que supo responderles bien y vencerles, con una famosa cita de la Biblia que dice “no tentarás a Dios” (Mt 4, 7), pero, a su juicio, cierta parte de la Iglesia moderna ha podido caer en manos de esta segunda tentación del Diablo. El tema es acuciante y nos convida a todos (especialmente a los que nos sentimos “teólogos” a no dejarnos arrastrar por una interpretación satánica de la Biblia y de la vida humana (especialmente de la Iglesia).

3ª TENTACIÓN: “TIBI DABO”: TODO ESTO TE DARÉ (UN TIPO DE TEOLOGÍA “POLÍTICA” DE LA LIBERACIÓN)

Tema, relato bíblico. El Diablo lleva a Jesús a una montaña altísima y le dice “todo esto te lo daré, si es que me adoras…”. El evangelio supone así que para alcanzar cierto poder hay que someterse al Diablo.

El evangelio está hablando de la “tentación mesiánica”, es decir, de Jesús y de su Iglesia. Sus problemas no son según eso los “políticos externos” (romanos antiguos, con rusos, americanos o chinos modernos).    

Según Benedicto XV el tema está centrado en la figura de Barrabás, a quien toma como dirigente de un grupo de revolucionarios  que planean la toma del poder social y militar (o tiempos de Roma o en la actualidad, a principio del siglo XXI). Ell Papa no cita directamente a la “teología de la liberación”, pero todo nos lleva a suponer que está pensando en ella. Éste es su tema clave”: 

“La fusión entre fe y poder político siempre tiene un precio: La fe se pone al servicio del poder y debe doblegarse a sus criterios.La alternativa que aquí se plantea adquiere una forma provocadora en el relato de la pasión del Señor. En el punto culminante del proceso, Pilato plantea la elección entre Jesús y Barrabás. Uno de los dos será liberado. Pero, ¿quién era Barrabás? Normalmente pensamos sólo en las palabras del Evangelio de Juan: «Barrabás era un bandido» (18, 40). Pero la palabra griega que corresponde a «bandido» podía tener un significado específico en la situación política de entonces en Palestina. Quería decir algo así como «combatiente de la resistencia».

Barrabás había participado en un levantamiento (cf. Mt 15, 7) y —en ese contexto— había sido acusado además de asesinato (cf. Lc 23, 19.25). Cuando Mateo dice que Barrabás era un «preso famoso», demuestra que fue uno de los más destacados combatientes de la resistencia, probablemente el verdadero líder de ese levantamiento (cf. 27, 16). En otras palabras, Barrabás era una figura mesiánica.

La elección entre Jesús y Barrabás no es casual: dos figuras mesiánicas, dos formas de mesianismo frente a frente. Ello resulta más evidente si consideramos que «Bar-Abbas» significa «hijo del padre»: una denominación típicamente mesiánica, el nombre religioso de un destacado líder del movimiento mesiánico. La última gran guerra mesiánica de los judíos en el año 132 fue acaudillada por Bar-Kokebá,  «hijo de la estrella». Es la misma composición nominal; representa la misma intención (Ibid 65‒66).

Benedicto XVI se opone según eso a un tipo de guerrilla social y/o religiosa, rechazando así a un tipo de “cristianos de la liberación”, que estarían dispuestos a tomar el poder con violencia y a ejercerla después (a su juicio) de un modo violento.

Benedicto XVI identifica a un tipo de teología de la liberación con Barrabás (quien a su juicio tendría que haber sido ejecutado por los romanos, no Jesús)… Dando un paso en esa línea, Benedicto XVI identifica al nuevo Barrabás con el Imperio de la Ilustración sin Dios, con un mundo donde el hombre es ya todo, todo en sí mismo, sin necesidad de Dios.

Frente a ese Barrabás (que sería la religión convertida en Imperio universal), Benedicto XVI sitúa a Jesús, que es el testigo del amor y de la gratuidad, aquel que es capaz de morir por los demás. En esa línea termina su interpretación de las tentaciones de Jesús en la actualidad:

“El tentador no es tan burdo como para proponernos directamente adorar al diablo. Sólo nos propone decidirnos por lo racional, preferir un mundo planificado y organizado, en el que Dios puede ocupar un lugar, pero como asunto privado, sin interferir en nuestros propósitos esenciales” (Ibid 66‒67). 

    Quien está al tanto de mi blog y de mi teología sabe que mi propuesta cristiana ha sido y sigue siendo siempre  respetuosa respecto de la de Benedicto XVI. Acepto algunas de sus propuestas. Incluso  he traducido algunas de sus obras en la edición oficial de Obras completas II (BAC, Madrid 2011, págs, 489-604). Pero pienso que su interpretación de las tentaciones de Jesús puede ser todavía matizada y repensada. Así lo he hecho alguna vez en este mismo blog. Así lo seguiré haciendo, Dios mediante, en las dos próximas postales, a la luz del Papa Francisco y de la nueva llamada a la misión cristianas, sin perder de vista las orientaciones de Benedicto XI, pero sin quedarnos sin más en ellas.  Buen domingo a todos

Las nueve tentaciones del Sínodo 

por José Francisco Gómez Hinojosa  

El Vademécum para el Sínodo sobre la Sinodalidad es la herramienta oficial para la escucha y el discernimiento en las iglesias locales, y “está concebido como un manual que acompaña al Documento Preparatorio, al servicio del camino sinodal”. El texto incluye: a) recursos litúrgicos, bíblicos y de oración disponibles online; b) sugerencias y herramientas metodológicas más detalladas, c) ejemplos de ejercicios sinodales recientes, y d) un Glosario de Términos para el Proceso Sinodal. 

Obvio, hay que leerlo para poder participar en la consulta que ya se está llevando a cabo en todas las diócesis del mundo, pero me permito recomendar detenernos en un apartado que me llamó la atención. En el segundo capítulo, titulado ‘Principios de un proceso sinodal’, aparece en el numeral cuatro una recomendación: evitar las trampas, y pasa a enlistar nueve tentaciones que resultan muy interesantes. 

1. La tentación de querer dirigirnos a nosotros mismos en lugar de ser dirigidos por Dios… olvidando que el Sínodo no es una reunión de consejo, sino una suerte de retiro espiritual. Además de preguntarnos cómo queremos la Iglesia del futuro, habrá que consultárselo primero a Dios. 

2. La tentación de concentrarnos en nosotros mismos y en nuestras preocupaciones inmediatas. El Sínodo está en línea con la Iglesia de puertas abiertas y en salida que sueña el papa Francisco. Hay que ir a las periferias existenciales a preguntar y a escuchar lo que otros opinan. 

3. La tentación de ver solo ‘problemas‘… pues ello nos puede llevar a sentirnos abrumados, desanimados y cínicos. Hay que señalar, es cierto, las adversidades y los errores cometidos, las sombras, pero también abrir muros para encontrar luces, que también existen. 

4. La tentación de concentrarse sólo en las estructuras. Éstas tienen que ser renovadas, de acuerdo, pero el Sínodo quiere centrarse en las personas y, recordando al Concilio Ecuménico Vaticano II, en sus gozos y esperanzas, en sus alegrías y tristezas, en sus sueños y suspiros. 

5. La tentación de no mirar más allá de los confines visibles de la Iglesia… lo que convertiría al Sínodo en algo autoreferencial. Necesitamos dialogar con el mundo de la economía y de la ciencia, de la política y de la cultura, de las artes y del deporte, de los medios de comunicación, etc. 

6. La tentación de perder de vista los objetivos del Proceso Sinodal. Y es que a veces, en el trayecto, las distracciones propias de la coyuntura nos pueden alejar de nuestra meta. El Sínodo no es un caminar errante sino una peregrinación, en la que tenemos claro el destino. 

7. La tentación del conflicto y la división… que siempre está presente en nuestras discusiones eclesiales. Necesitamos, claro, defender con pasión nuestras propuestas, pero con el mismo entusiasmo escuchar y, dado el caso, aceptar las opiniones diversas a las nuestras. 

8. La tentación de tratar el Sínodo como una especie de parlamento. El proceso sinodal no es una ‘batalla política’, en donde para gobernar una parte debe ganarle a la otra. El proceso sinodal es consultivo, y el papa Francisco es quien tomará las decisiones pertinentes. 

9. La tentación de escuchar solo a los que ya participan en las actividades de la Iglesia… que, sin duda, sería más sencillo y ágil, pero deja afuera a tantas personas que están allí, fuera. Escuchar sólo a quien nos endulza el oído no sirve más que para ensanchar el ego. 

Pro-vocación 

En México decimos ‘nomás por fregar’, de alguien que critica todo, muchas veces sin razón alguna. Tal parece la actitud del cardenal Gerhard Müller, ex Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, al oponerse, también, a la realización del Sínodo. “No es necesaria la consulta”, y “Los Sínodos son de obispos no de laicos”, dos perlas de la cerrazón y el clericalismo pronunciadas por Su Eminencia. En fin. 

La Buena Noticia del Dgo 1º-Cuaresma-B

Entre conflictos y tentaciones

LAS TENTACIONES EN TIEMPOS DE PANDEMIA

Marcos 1, 12-15

En aquellos tiempos, se extendió una peste por Israel. Jesús reunió al grupo de discípul@s y los envió de dos en dos, diciéndoles:

– He oído que en esta pandemia la gente experimenta grandes tentaciones. Id por los caminos, con los ojos y los oídos bien abiertos. Dentro de unos días, cuando nos reunamos de nuevo, compartiremos el sufrimiento de nuestro pueblo.

Se pusieron en camino. Observaron. Dialogaron. Tocaron de muchas formas el dolor ajeno. A la vuelta, compartieron lo que habían visto y oído.

– Maestro, unos sabios han preparado un ungüento que evita la peste, pero hay gente poderosa que lo está comprando en grandes cantidades y no llega a los pueblos más pobres. Incluso algunas familias del sanedrín se han saltado las normas para poder recibir el ungüento, antes que los ancianos y los enfermos.

– Hay mercaderes que se están enriqueciendo de manera escandalosa. Traen productos de primera necesidad de otros países, sirviéndose de esclavos; la peste ha traído nuevas formas de esclavitud.

– Las meretrices están abandonadas a su suerte. Los clientes las han rechazado, como si fueran animales contagiosos. Ellos están confortablemente en sus casas y ellas están a las afueras de las ciudades, intentando sobrevivir.

– Los políticos de Roma y los de Jerusalén se enfrentan continuamente, porque quieren atribuirse los logros en el control de la peste. Les ahoga la vanagloria y olvidan el bien común.

– Hay jóvenes que siguen organizando bacanales. No hacen caso de las leyes, solo piensan en divertirse y honrar al dios Baco y están extendiendo la peste, incluso entre su propia familia.

– Muchos paganos, extranjeros y proscritos se han movilizado para atender a los apestados. Pero hay gente que no valora su trabajo porque dice que “no son de los nuestros”.

– Algunos que cantaban salmos en la sinagoga cada sábado, parece que han olvidado lo que cantaban y rezaban y se comportan como si no tuvieran esperanza, como si Yahvé se hubiera alejado de nosotros.

Y así, de dos en dos, fueron compartiendo estas y muchas otras tentaciones que habían descubierto en la pandemia.

Jesús les dijo…

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Han pasado 2.000 años y seguimos experimentando las mismas tentaciones, las mismas pruebas que tuvo Jesús en el desierto, antes de comenzar la vida púbica. Nuestro ego reclama: ser l@s primer@s (incluso para recibir la vacuna); que nuestra gloria se expanda (aunque sea vana-gloria y nos ahogue); que las piedras del camino desaparezcan por obra de los enchufes, el amiguismo o la traición…

Cada uno, cada una, y cada comunidad podemos nombrar las tentaciones, especialmente las que han cobrado fuerza en la pandemia.  Además:

a) El evangelio nos pone sobre aviso de que tenemos “fieras” y “ángeles”, en nuestro interior y alrededor, que forman parte de esta lucha.

b) El telediario nos muestra a quienes vencen y a quienes sucumben.

c) Nuestra conciencia nos recuerda las oportunidades de crecimiento que nos ha brindado cada prueba/tentación. Tenemos una valiosa experiencia acumulada.

El evangelista Marcos nos ofrece una vacuna, que no nos impide tener tentaciones, pero nos inocula anticuerpos para enfrentarnos a ellas y vencer: “¡Convertíos y creed en el Evangelio!”

¿Qué llamadas a la conversión estamos descubriendo en plena pandemia?

Marifé Ramos

TESTIGOS DE LA PALABRA

Antonio Machado
Antonio Machado

El 22 de febrero hace 80 años  que muere en Coillure, Francia, Antonio Machado, uno de los poetas más representativos de la España, una y diversa, que él siempre llevó en el corazón

Hasta allí había llegado, junto con su anciana madre, huyendo con otros 400.000 exiliados, después de la caída de Barcelona bajo el control fascista.

Sobre la tumba está escrito uno de los versos más famosos:

Y cuando llegue el día del último viaje

Y esté al partir la nave que nunca ha de tornar

Me encontrarás a bordo, ligero de equipaje,

Casi desnudo, como los hijos de la mar.

                                                                 LA SAETA

¿Quién me presta una escalera

para subir al madero,

para quitarle los clavos

a Jesús el Nazareno?

¡Oh, la saeta el cantar

al Cristo de los gitanos

siempre con sangre en las manos,

siempre por desenclavar!

¡Cantar del pueblo andaluz

que todas las primaveras

anda pidiendo escaleras

para subir a la cruz!

¡Cantar de la tierra mía

que echa flores

al Jesús de la agonía,

y es la fe de mis mayores

¡Oh, no eres tú mi cantar!

¡No puedo cantar ni quiero

a ese Jesús del madero,

sino al que anduvo en la mar!